Vida longa aos pisos de madeira

Em tempos de conscientização ecológica, desfazer-se de um piso de madeira só porque está velho e desgastado é pura loucura. Saiba que há meios práticos e eficazes para recuperá-lo.

Fotos Marcelo Magnani
Surgem novos materiais, novas tendências, mas a beleza da madeira e sua resistência permanecem incontestáveis. O material ainda tem o poder de trazer a sensação de aconchego ao ambiente. Então, se seu piso de madeira está feinho, soltando ou com buracos entre as peças, trate de recuperá-lo, porque vale a pena. Foi o que fez o biólogo Luciano Borges. Luciano mudou-se para um apartamento antigo de 60 m², no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, e optou por reformar o piso de peroba-rosa que estava no local há mais de 50 anos. Para isso, contratou uma empresa especializada no serviço. “A recuperação da madeira é possível quando os danos são riscos, manchas, mofo, calafeto danificado e resina trincada ou descascada”, explica Eliana Gambarra, proprietária da Polibem Pisos – tel.            (11) 3791-8624      , São Paulo, SP. No caso de Luciano, além da raspagem, alguns dos tacos e dos rodapés foram substituídos. “A madeira estava com cupim e foi preciso reformar todo o piso do apartamento. O resultado ficou ótimo. Os tacos voltaram à sua característica rústica, com os veios aparentes de diferentes tonalidades”, conta o morador.
Qualquer um pode ter esse mesmo final feliz. Veja os tratamentos que existem para que a madeira fique novinha em folha.
Fotos Marcelo Magnani
PARA COMEÇAR, A RASPAGEM
A raspagem é o primeiro passo da recuperação, uma vez que o processo retira todos os danos e imperfeições aparentes. Ela é feita a cada sete ou dez anos, dependendo do desgaste do material. Como a ação diminui a espessura da matéria-prima, o ideal é que o piso seja raspado por no máximo seis vezes durante sua vida útil. Vale lembrar que a raspagem não é indicada para a madeira de demolição. “Ao lixarmos a madeira, ela perde toda a sua característica original. Nesse caso, aconselhamos a troca da tábua danificada. Também vale encerar o piso pelo menos uma vez durante a semana”, explica Ricardo Tosi, diretor da Aplicadora Master – tel.            (11) 5183-6578      , São Paulo, SP. Após esse processo, é comum aparecerem aberturas e frestas, facilmente corrigidas com a calafetagem (preenchimento dos vincos).
Fotos Marcelo Magnani
PRÓS E CONTRAS DAS RESINAS A resina protege a madeira do desgaste do tempo. Hoje, há no mercado diversas substâncias que cumprem esse fim, mas com propriedades diferentes. As resinas à base de água são as mais indicadas pelos profissionais porque têm secagem rápida – de até quatro horas –, ausência de cheiro forte e a possibilidade de retoques, quando necessário. Contudo, quem opta por esse produto paga mais caro, uma diferença de até R$ 15 por m². Já os produtos à base de formol, ureia e solventes (entre eles, o sinteco) são mais vantajosos financeiramente e muito resistentes à abrasão. Nesse caso, porém, a madeira clara pode sofrer oxidação com a aplicação do produto e o cliente deve estar preparado para aguentar por alguns dias o odor forte característico dessa resina – não aconselhado para alérgicos. Em ambos os casos, a limpeza não exige muito do morador, somente um pano úmido.
Fotos Marcelo Magnani
CORES NO PISO
Outra forma de reformar um piso de madeira é tingi-lo. Esse recurso é recorrente para decorar o quarto de crianças ou trazer modernidade à sala de estar. Para quem se interessou pelo assunto, a explicação: existem processos diferentes para pintar a madeira, e cada empresa indica o de sua preferência. Na Aplicadora Master, geralmente o piso é raspado para depois receber a tinta epóxi da cor branca. No acabamento, a madeira ganha uma camada protetora de verniz fosca ou brilhante, ao gosto do cliente. Em cores escuras, a pintura é feita por pigmentação e não pela tinta. E um adendo: em pisos com tonalidades disformes, a exemplo do de ipê, o procedimento exige outras etapas prévias à pintura, o que eleva o custo da reforma.




Faça as contas 
Resina à base de água – de R$ 45 a 52 o m² *
Sinteco – R$ 30 o m² *
Pintura de cores claras – a partir de R$ 76 o m² *
Pintura de cores escuras – a partir de R$ 56 o m² *

* Todos os preços incluem raspagem e calafetagem.
 

MEGAPAREDE PROTEGE CASA DE VENTO POLAR

Arquitetos noruegueses
tiveram de lançar mão de
um inusitado recurso para construir uma casa no meio
do nada no interior da
Islândia. Colocados diante
do desafio de uma paisagem pedregosa, de vulcões,
glaciares e gêiseres, onde
o vento polar sopra forte
durante boa parte do ano,
eles ergueram uma imensa
parede para barrar a
incessante brisa. Para o
norte, de onde vem o vento constante, a residência
está protegida por uma
enorme fachada curva que parece fazer a casa tombar sobre si mesma. É ela, entre
outros elementos, que mantém os moradores ao abrigo do frio, tornando a construção
habitável.
Ali, uma única abertura permite que os moradores observem a vista para as montanhas
e o horizonte desolado, que são marca registrada do país. Esse cenário quase de sonhos
foi o que determinou o projeto dessa residência de veraneio.
Construída em uma planície despovoada, próxima à capital Reykjavik, a Casa G foi
concebida pelo estúdio norueguês Gudmundur Jonsson Arkitektkontor com base na
leitura e no respeito à paisagem local.
A vista para o mar e para
as ilhas determinou as
grandes janelas da fachada voltada para o sul. Isso
garante a entrada de luz
natural, além de aquecer os ambientes. Para leste, as
aberturas conectam
visualmente os espaços
internos com glaciares e, a
oeste, com o rio e com os
gêiseres.
Os revestimentos da casa,
tanto internos quanto
externos, complementam
a conexão entre a construção
e a natureza do entorno. O cinza dos pisos de cimento queimado dão continuidade ao solo pedregoso, enquanto as paredes de madeira escura – bastante elevadas em função dos pés-direitos duplos – lembram as montanhas do horizonte.
Esbanjando elegância, o caráter contemporâneo da Casa G é uma homenagem à singela paisagem da Islândia, verdadeiro deleite para olhos mais atentos.

Quanto custa construir?


Corte os custos já no projeto

Imaginar a feitura da casa é um vôo livre, sem as amarras de prazos e orçamentos. O problema é que, na hora de pôr os desejos na ponta do lápis, a construção pode sair maior e mais cara do que o esperado. Sem querer tesourar a sua fantasia, esta reportagem traz dicas de especialistas para compatibilizar sonho e realidade ¿ antes mesmo de comprar o terreno.









Por onde começar 
Em geral, o terreno é o primeiro personagem na história de quem pensa em construir. E a escolha desse item deve ser cuidadosa, pois as características do lote vão influenciar no valor da obra. Terrenos planos. "É verdade que eles tendem a gerar construções mais econômicas, pois evitam o custo com terraplanagem e muros de arrimo", fala o engenheiro Marcos Penteado, de São Paulo. Se você, porém, optou por comprar um lote em declive ou aclive, o ideal é que o projeto arquitetônico respeite a topografia do lugar sem grandes movimentações de terra (não estamos falando de pirambeiras, ok?). "Acomode a construção no desnível ou adote pilotis", sugere o arquiteto Guilherme Mattos, de Mogi das Cruzes, SP. Vale lembrar que o preço de um terreno plano pode ser mais alto que o de um lote em desnível. "E aí a economia acaba ficando elas por elas", avisa o engenheiro Sérgio Patrício, de São Paulo. Medida do lote. "Terrenos grandes em geral têm impostos e gastos de manutenção maiores, além de, eventualmente, induzirem cliente e profissional a partirem para construções maiores", observa Guilherme. "Num lote de 250 m2 cabe um sobrado de 200 m2", diz o arquiteto paulista Marcio Moraes. "Embora seja agradável desfrutar de área livre, ela não necessariamente agrega valor ao imóvel." Qualidade do solo. Se o lote tem uma linda vista mas é pedregoso ou pouco resistente, fuja dele. "Assim como se for pouco firme exigirá fundações mais complicadas, onerando o valor da obra", diz Marcos Penteado. É difícil, no entanto, checar tais características no "olho". Só mesmo fazendo uma sondagem. "Antes de comprar, verifique esse dado com os vizinhos que já construíram em um raio de 100 m", recomenda Sérgio. Localização do terreno. Essa é uma questão recorrente para quem pensa num refúgio de praia ou campo ou mesmo numa moradia longe da metrópole. Construir em lugares mais distantes dos grandes centros tende a onerar o custo do frete. Sem contar que a mão-de-obra local pode ter dificuldade para trabalhar com materiais industrializados. "Assim, o projeto deve ser focado nas facilidades que a região oferece", defende o arquiteto José Augusto Conceição, de São Paulo. Ou seja, elabore o projeto considerando usar os materiais disponíveis na região e as técnicas construtivas com as quais os trabalhadores locais estão familiarizados.
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Top 10 
Itens que mais encarecem a obra: 

  1. terreno ruim 
  2. fundação e estrutura complicadas 
  3. telhado recortado 
  4. acabamentos de luxo 
  5. esquadrias grandes e sob medida 
  6. banheiros e instalação hidráulica 
  7. alvenaria 
  8. painéis de vidro 
  9. elétrica mal planejada 
10. área externa: churrasqueira, forno, spa, deck e piscina

Na hora do projeto 
O ideal é abrir o jogo com o profissional já no primeiro encontro, expondo a ele qual é seu orçamento e sua real necessidade de economizar. "Parece óbvio, mas há clientes que preferem deixar o arquiteto criar sem amarras de custo e jogam o problema para a frente", comenta Cristiane Gallinaro, arquiteta e professora de projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, cuja dissertação de mestrado demonstra como cortar custos no estudo preliminar da obra. Nesses casos, a bomba estoura quando é feito o orçamento detalhado - em geral pelo engenheiro que vai tocar a obra -, em que os itens são listados com os respectivos preços. Para evitar surpresas, Cristiane recomenda fechar um pacote com o arquiteto englobando uma planilha de gastos (elaborada após o memorial descritivo) e um retorno para eventuais ajustes - antes de o profissional detalhar o projeto. "Nesse ponto é possível trocar um acabamento por outro mais barato sem prejudicar a estética e o conforto do conjunto", exemplifica. Outra recomendação valiosa nessa etapa é ficar atento à clareza do projeto. Se ele especificar a cobertura, as paredes, as tubulações (tudo com medidas precisas), você evita erros e desperdício. Vale ressaltar que os planos para hidráulica, elétrica e estrutura, entre outros, devem ser coordenados pelo arquiteto - ou um interfere no outro. Também considere as vantagens de investir em modularidade, ou seja, tirar partido da medida-padrão dos materiais. Por exemplo: dimensionar as paredes usando múltiplos do tamanho dos blocos evita o desperdício de serrá-los. A máxima vale também para os revestimentos. Que tal usar azulejos que minimizem os cortes na hora da colocação?

Como simplificar a construção 
Quem deseja economizar deve evitar recursos como pé-direito duplo (você terá mais obra e menos m2), telhado com várias águas (leva mais telhas e madeira), além de ambientes recortados e com curvas (mais área para cobrir e dar acabamento). Nada de grandes vãos (espaços livres de pilares) ou balanços (laje ou piso que avança, sem colunas por baixo), pois exigem estrutura reforçada. "Em casas de mais de um pavimento, procure colocar parede sobre parede para economizar na estrutura", fala o arquiteto Ricardo Pontes, de São Paulo.

"Consegui comprar um terreno de 380 m2. Disse à arquiteta o que desejava e o valor que tinha para gastar - e com base nisso foi feito o projeto. Inicialmente a casa teria 150 m2, mas decidi ficar com 123 m2 de área útil para economizar. Como o terreno é inclinado, a sugestão foi construir acompanhando o desnível do terreno. Se aterrasse, iria gastar mais. Também pensei em fazer um telhado pouco inclinado, escondido, com telhas leves, para usar menos madeiramento." Sandro Hideki Aoyama
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Na dúvida, use o bom senso: "O mais simples e convencional tende a sair mais barato", resume o profissional. Banheiro custa caro. "Em função das instalações e dos acabamentos, esse é o ambiente mais oneroso de uma construção", diz o engenheiro Sérgio Patrício. Limitar o número de cômodos dotados de rede hidráulica é uma medida sensata de economia. Outra forma de poupar é agrupar as chamadas áreas molhadas para encurtar o caminho da tubulação.

Esquadrias padronizadas. Os modelos industrializados costumam ser mais econômicos que os feitos sob medida. Peças menores e mais simples também reduzem essa conta (veja na pág. 117 um artigo sobre o tema).

Água quente. Se o orçamento estiver curto, fuja da tubulação de água quente. "Demanda tubos de cobre ou CPVC, que encarecem o projeto", lembra Marcos. Mas atenção: a economia de energia elétrica que você terá nos anos seguintes, adotando um sistema de aquecimento central, poderá pagar o investimento. Então, examine bem o caso. Pequenos luxos. Avalie com clareza a importância de lareiras e banheiras, assim como churrasqueiras, saunas, decks e piscinas. Os primeiros costumam ser pouco usados e os últimos podem ser planejados e erguidos depois.

Acabamentos a peso de ouro. Responsáveis por até 33% do valor final da construção, eles podem ser fonte de descontrole - quem resiste a tanta variedade? Algumas medidas minimizam o impacto. "Um mesmo fabricante oferece diferentes linhas de revestimentos, com grande variação de preços. Tire partido disso", diz o engenheiro Sérgio Patrício. Para o arquiteto Frederico Zanelato, de São Paulo, que construiu a própria casa de forma econômica, a solução foi a praticidade. "Padronizei os revestimentos e consegui negociar um preço mais em conta", fala. Uma dica é revestir de cerâmica ou outro material impermeável apenas a área do boxe e sobre a bancada da cozinha. "O restante das paredes fica na massa e tinta", completa Ricardo Pontes. Também vale recobrir as paredes com massa grossa (em vez de várias camadas sobre os tijolos), mais rústica. E lembre-se: a idéia não é empobrecer o projeto, mas viabilizá-lo com cortes criteriosos e criatividade. "Cada caso requer uma resposta", diz o arquiteto paulista Marcio Moraes.
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"Para fazer minha casa de veraneio, tive que economizar. Troquei a telha portuguesa por fibrocimento e laje pré-moldada. Para tanto, mudei o estilo: saí do convencional, com varandas e telhado, para uma fachada com jardim suspenso, escondendo a cobertura." Afonso Liguori, bioquímico de Camaçari, BA"Realizado por uma engenheira, meu projeto teve alguns detalhes para diminuir custos: banheiro sobre banheiro e paredes retas. A maior economia foi mesmo no acabamento: metais de qualidade mas de menor preço e piso de primeira apenas na sala. As demais áreas ficaram com cerâmicas mais simples. Sem comprometer a beleza e o conjunto." Sônia Dantas, enfermeira de Campinas, SPNão corte aqui
• Quem deseja economizar costuma pensar em enxugar a planta. A arquiteta Cristiane Gallinaro aconselha avaliar bem essa solução. "Afinal, um ambiente sem instalações hidráulicas (como sala ou quarto) custa metade do valor do m2 da casa. Ou seja, cortar a área "seca" em 10% gera uma economia de apenas 5%", explica. É claro que quanto mais for suprimido, menos custará a obra. "Mas aí você pode mutilar seu sonho", alerta. Assim, sua sugestão é a construção em etapas. "O profissional elabora um projeto prevendo que a casa vai crescer", fala o arquiteto paulista Guilherme Mattos.
• Cuidado também ao poupar nas instalações elétricas. "É fundamental que o futuro morador conheça suas próprias demandas, onde deseja cada ponto", diz o engenheiro Sérgio Patrício. "Isso evita quebra-quebra depois para passar os fios."
• Uma unanimidade é o cuidado com os materiais inferiores. Muitas vezes geram desperdício e entulho, e, conseqüentemente, mais gastos.
• Outro fator importante: a mão-de-obra. "Em geral, o barato sai caro. Uma parede fora do prumo consome mais massa do que o normal, gerando um custo acima do previsto", diz o arquiteto Ricardo Pontes, de São Paulo.

Coberturas verdes: conheça os critérios de especificação e os sistemas construtivos disponíveis no Brasil

Conheça os critérios de especificação e os sistemas construtivos disponíveis no Brasil
Por Juliana Nakamura





CtrlG + Federico Mesa
A seleção das espécies vegetais para a cobertura da escola infantil Pajarito la Aurora, em Medellín, Colômbia, foi feita para que o edifício, projetado pelos escritórios Ctrl G e Plan B, se fundisse à paisagem
Ao diminuir a reflexão e absorção de calor, as coberturas verdes atuam como isolantes térmicos em edificações. Absorvem gás carbônico e retêm a água pluvial, contribuindo para a redução do problema de drenagem da chuva em cidades, prevenindo alagamentos. Com tantas vantagens, os telhados vivos começam a ganhar mais notoriedade no Brasil, sobretudo pelo impacto positivo que a solução traz na obtenção de certificações ambientais como o Aqua e o Leed. Para se ter uma ideia, a presença de telhado verde na cobertura de um edifício soma 15 pontos em 45 necessários para a obtenção do selo verde pelo Green Building Council (GBC).
Nos últimos anos, o desenvolvimento de novos materiais como membranas impermeabilizantes, agentes inibidores de raízes e substratos de baixa densidade favoreceu a maior integração entre plantas vivas e as edificações. Surgiram os módulos pré-fabricados, quase sempre compostos por bandejas rígidas preenchidas com substratos e plantas pré-cultivadas, que podem ser depositadas diretamente sobre as coberturas, inclusive as inclinadas e as compostas por telhas convencionais.
Apesar dos avanços, ainda estamos atrás de países como o Canadá, Alemanha e Suíça, que dispõem de tecnologia mais avançada em relação aos acessórios de acabamento, irrigação, manutenção e integração da cobertura verde com outros sistemas como, por exemplo, o de painéis solares. "Fora isso, o custo ainda é uma barreira no Brasil", avalia o arquiteto Jörg Spangenberg, gerente de desenvolvimento de negócios para América Latina da Werner Sobek São Paulo.
Segundo Jörg, embora haja um movimento apontando para a maior adoção das coberturas verdes, os sistemas modulares ainda são muito subutilizados, especialmente quando se está fora das regiões Sul e Sudeste. "Não há produção em todas as regiões e o custo de frete acaba inviabilizando financeiramente alguns projetos", lamenta. Hoje, os sistemas com vegetação mais simples são fornecidos a partir de 70 reais/m².

Critérios de especificação

Os telhados verdes são classificados em intensivos e extensivos. Os primeiros são compostos por uma camada de solo profunda, normalmente de 15 cm a 21 cm no mínimo, permitindo a colocação de uma capa de vegetação com peso superior a 120 kg/m². A cobertura verde extensiva, por sua vez, utiliza uma camada fina de solo ou substrato. Relativamente leve, esse tipo de jardim está mais alinhado às demandas dos projetos atuais e costuma ser composto por plantas de menor porte, que exigem uma manutenção mínima.
"A escolha entre um tipo ou outro depende da capacidade da estrutura suportar cargas, especialmente em se tratando de construções existentes", explica Jörg. Um sistema extensivo com substrato de 5 cm a 15 cm de espessura pode implicar um aumento de carga no telhado de aproximadamente 70 kg/m2 a 170 kg/m². Já o jardim intensivo com solo base do substrato acima de 15 cm pode impor um peso adicional de 290 kg/m2 a 970 kg/m².
Sobretudo para telhados verdes extensivos, o vigor e a longevidade da vegetação dependem do sistema adotado. Mas é possível encontrar diferenças entre os modelos construtivos. A base de sistema, além de garantir uma boa drenagem, deve preferencialmente promover uma boa circulação de ar embaixo do jardim. Melhor ainda se permitir o armazenamento de água, o que garante maior eficiência no uso da chuva e irrigação. Onde há muita seca, recomenda-se a especificação de sistemas que integram reservatórios de água que podem ser, inclusive, de reúso. Para regiões onde chove bastante, é possível utilizar módulos mais leves.
Sistemas 100% modulares são mais fáceis de montar e desmontar, garantindo economia de mão de obra. No mercado brasileiro, há produtos com grande variação na capacidade de drenagem, armazenamento da água da chuva, capacidade de filtro, substratos de cultivo com diferentes teores de aeração, matéria orgânica, materiais inertes, e diferentes tipos de adubação. Uma dica na hora de especificar é observar se o sistema emprega produtos com baixa condutividade térmica, plásticos reciclados e de alta durabilidade e substratos de cultivo com adubação orgânica.
A definição da inclinação do jardim precisa ser cuidadosamente avaliada. Isso porque nos telhados planos é necessário assegurar drenagem eficiente, que evite o excesso de umidade. Já nas coberturas muito inclinadas pode ser necessário instalar travamentos para evitar que a terra e o substrato deslizem.
Também é importante garantir a estanqueidade para evitar infiltrações e o correto dimensionamento da drenagem, que deve ser calculada em função da área de contribuição e histórico de chuvas da região. Além disso, sempre que possível, deve ser dada preferência às plantas nativas da região, que favorecem a flora e a fauna local.
A frequência e tipo de manutenção vão variar de acordo com o sistema, qualidade dos materiais e seleção de plantas empregadas. "Como regra geral, recomendamos manutenções periódicas a cada seis meses para identificar a presença de plantas invasoras que possam danificar a estrutura de drenagem ou ocasionar sobrecargas localizadas na cobertura.


Tecnologias disponíveis no Brasil

Tecgarden, da Remaster
Instalado sobre laje impermeabilizada, o sistema permite reservar as águas das chuvas para irrigação do jardim, sem utilização de energia elétrica, bombas ou bicos irrigantes. Os pedestais possuem "pavios" que suportam as placas de piso elevado e criam um vão para o reservatório de água. Manta geotêxtil e produto antirraiz garantem o fluxo de água sem interrupções ou entupimentos. Se a chuva for intensa, um sistema de ladrões drena o excesso.



Revestimento vivo Premium, do Instituto Cidade Jardim
Composto por plantas adultas, cultivadas sem agrotóxicos, o sistema conta com módulos pré-fabricados nos quais todos os componentes estruturais necessários para o cultivo localizam-se em uma única peça com encaixe lateral. Isso inclui drenagem, filtro, reservatório de água, substrato leve e plantas. Com 40 cm x 50 cm x 8 cm, os módulos podem ser recortados in loco, o que permite desenhos curvos. O peso saturado com água varia entre 80 kg/m² e 150 kg/m².

Ecotelhado Laminar, da Ecotelhado
Ideal para regiões de seca e construções de lajes planas, o sistema dispõe de uma cisterna para águas pluviais implantada sob piso modular elevado que garante suprimento de até 200 l/m². O peso do conjunto saturado é de 250 kg/m², podendo variar de acordo com o tamanho da vegetação. Permite também a purificação de águas cinzas com posterior reutilização.


divulgação Instituto Cidade Jardim
Jardim instantâneo
A casa conta com dispositivos para diminuir o consumo de água, reduzir impactos ambientais e otimizar a eficiência energética. Por isso, nas lajes de cobertura foram instaladas placas de captação de energia solar, bem como um telhado verde de cerca de 80 m² composto por duas espécies suculentas (sedum acre evilladia batesi). Como a laje havia sido construída com vigas invertidas, os módulos do jardim foram aplicados sobre gradis metálicos e protegidos com tela plástica. Dessa forma foi possível nivelar a laje e manter o jardim em um único plano, acima das vigas invertidas. A vegetação foi fornecida em módulos pré-cultivados com plantas adultas.

Ficha técnicaNome da obra Casa Cobogó
local São Paulo, SP
Ano 2011
Arquitetura Marcio Kogan (autoria) e Carolina Catroviejo (coautora)
COBERTURA VERDE Instituto Cidade Jardim

Jens Lindhe
Plano inclinado 
A cobertura verde do complexo 8 House, em Copenhague, na Dinamarca, utilizou mais de 1.700 m² de musgos, e foi associado a outras ações, como a criação extensiva de pátios e varandas, para compor uma paisagem marcante. Com 11 andares e 476 unidades residenciais, o edifício de uso misto conta com apartamentos na parte superior, enquanto o programa comercial se desenrola na base do edifício. Por esse projeto, o BIG foi premiado em 2010 como o melhor telhado verde da Escandinávia pela Scandinavian Green Roof Association.

Ficha técnica
Nome da obra
 8 House
Local Copenhague, Dinamarca
Ano 2010
Arquitetura BIG - Bjarke Ingels Group
Colaboração Hopfner Partners, Moe & Brodsgaard, Klar
Cobertura verde Veg Tech

PWL Partnership Landscape Architects
Superdrenagem
Com certificação Leed Platinum, a cobertura do centro de exposições canadense se destaca pelo sistema de drenagem, que ajuda a evitar inundações. São 2,6 ha em planos inclinados e recortados cobertos por 25 espécies de vegetação nativa. O telhado foi dividido em setores de 800 m² abaixo dos quais sistemas de drenos e bacias de retenção ajudam a gerenciar as águas pluviais. Quando cheias, as bacias liberam a água excedente lentamente até a borda do telhado por um sistema de canaletas de alumínio de 30 cm de largura que formam um zigue-zague sobre a cobertura.

Ficha técnicaNome da obra Projeto de expansão do Vancouver Convention Centre
Local Vancouver, Canadá
Ano 2009/2010
Arquitetura PWL Partnership Landscape Architects
Cobertura verde American Hydrotech

divulgação Zanettini Arquitetura
Verde sobre metal
Primeiro empreendimento do Centro-Oeste a obter a certificação Leed, o edifício do TJDFT, projetado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, tem como destaque terraços e coberturas verdes que ajudam a humanizar os ambientes de trabalho, além de criar um microclima mais confortável. Módulos com vegetação pré-cultivada resistente a secas (sedum acre) foram instalados sobre telhas de alumínio zipadas que, por sua vez, estão apoiadas em lajes steel deck. Além dos terraços, o gramado ao redor do edifício (618 m²) foi cultivado sobre apenas 5 cm de substrato em módulos especialmente desenhados para permitir boa aeração, armazenamento de água e leveza.
Ficha técnicaNome da obra Fórum do Meio Ambiente e da Fazenda Pública do Distrito Federal (TJDFT)Local Brasília, DFAno 2010/2011Arquitetura Siegbert Zanettini (autor) e Sandra Henriques (coautora)Construção CaengeProjeto de Sustentabilidade SustentaXTelha metálica zipada BemoCobertura verde Instituto Cidade Jardim

Painel Solar - Como fazer e quanto custa.

Painel solar
Sistema de aquecimento solar para residência de 60 m2, e cerca de dez banhos diários. Composto por reservatório térmico com capacidade para 600 litros, e controlador digital de temperatura


Modelado no Archicad Projeto: Wilton Catelani Orçamento: Ana Carolina F. de Camargo

O sistema de aquecedor solar deverá ser dimensionado de acordo com o consumo diário médio de água quente.

PROCEDIMENTO EXECUTIVO
1) É desejável que o reservatório térmico seja posicionado antes do fechamento do telhado. Caso o telhado esteja concluído, parte do telhado deverá ser removida para instalação do reservatório térmico.
2) O nível do reservatório térmico deverá ser definido de acordo com o modelo e desnível para a caixa de água fria e desnível para os coletores solares.
3) A tubulação de alimentação de água fria deverá ser exclusiva para alimentar o reservatório térmico.
3) Os coletores solares deverão ser posicionados com face voltada para o norte geográfico.
4) Usar tubulações de cobre para interligações caixa de água fria, reservatório térmico e coletores solares.
5) Usar isolamento térmico em todas as tubulações de água quente.
6) Instalar dispositivo anticongelamento para coletores solares quando existir probabilidade de ocorrência de geadas.
7) Executar a instalação elétrica e aterramento do sistema de aquecimento complementar somente após abastecimento de água do reservatório térmico.
Fonte: TCPO

INSTALAÇÃO (PASSO A PASSO)
 O local para instalação do boiler deve suportar o seu peso próprio e o peso da água.
 O cilindro deve ser fixado sobre vigas de madeira ou concreto, prevendo-se um espaço de 50 cm para eventuais manutenções na resistência elétrica.
 Os coletores solares são presos a suportes. A inclinação desses suportes deve seguir uma tabela, de acordo com a região do País:
Para fixar os coletores, use uniões de cobre. A solda evita que sejam movidos pelo vento em locais muito altos e abertos.
Caso a instalação seja efetuada em locais sujeitos a geadas e vendavais, deverá ser prevista a instalação de uma válvula de proteção anticongelamento.
Toda a ligação hidráulica do sistema deverá ser feita com tubos e conexões de cobre.
O respiro deverá ter altura mínima de 50 cm acima do nível da caixa d'água.
Nas entradas e saídas dos reservatórios e coletores devem ser utilizadas luvas de união de cobre.
Fonte: Revista Equipe de Obra

Referências para obras residenciais
Confira os custos/mem 11 praças brasileiras
MAT = Materiais MO = Mão de obra
Padrão fino: residência térrea, alvenaria com tijolos cerâmicos comuns, caixilhos de alumínio com vidro temperado, fachada com pintura látex acrílica. Cobertura convencional com telhas substituída por cobertura com laje impermeabilizada
Padrão médio: alvenaria com tijolos cerâmicos comuns, caixilhos de alumínio com vidros comuns, cobertura com telhas cerâmicas e fachada com pintura de Látex PVA
Padrão popular: residência térrea, alvenaria de blocos de concreto, caixilhos de alumínio com vidro comum, pintura interna e externa com caiação sobre massa grossa desempenada, cobertura com telhas de fibrocimento
Nos custos/m2 Também não são considerados: Projetos, orçamentos, emolumentos, movimentos de terra, fundações especiais, aquecedores e paisagismo

Esquadria de bambu do tipo camarão é destaque de casa criada por Marcio Kogan e Diana Radomysler em Ilhabela, SP

Por Nilbberth Silva Fotos Pedro Vannucchi



Fotos Pedro Vannucchi
Filtrar a luz e garantir a privacidade são apenas algumas das funções da esquadria de bambu desenhada pelo arquiteto Marcio Kogan, em parceria com Diana Radomysler, para a Casa de Ilhabela, em SP. Aberta, a janela do tipo camarão oferece vista plena da paisagem natural, que tem o oceano como protagonista. Fechada, garante a entrada parcial dos raios solares na construção, projetando no piso uma sombra quadriculada como a de um muxarabie.
E, como a peça da arquitetura árabe, a esquadria permite ver sem ser vista a partir do segundo pavimento, onde está instalada. Preenche de ponta a ponta as fachadas frontal e posterior, ocultando as robustas vigas de concreto superior e inferior, calculadas para vencer um vão de 10,5 m. Somente ficam aparentes as lâminas que se desprendem da estrutura para abrigar os trilhos embutidos por onde correm os painéis de bambu.

Além de atuar como brise soleil, o elemento de bambu se sobrepõe aos caixilhos da varanda linear, deixando a fachada visualmente mais limpa. Marcio queria que a casa lembrasse uma caixa mágica. "Em nenhum momento você consegue perceber onde a casa se abre. Você não sabe o que vem por trás - a construção parece ser enigmática e, no entanto, se abre", comenta o arquiteto. De fato, algumas vezes Kogan já ouviu vizinhos de suas obras reclamarem que as casas não têm janelas. Só depois as percebem, surpresos, escondidas dentro das "caixas".
Ao todo, são 40 painéis com 3,7 m de altura e de 0,8 m a 1 m de largura compostos por dois planos de réguas de bambu parafusados em uma estrutura de alumínio anodizado.

Os painéis foram executados por um serralheiro em parceria com a empresa especializada Bambu Carbono Zero. Seu desenvolvimento foi meticulosamente pensado durante quase um ano e exigiu o desenvolvimento de três protótipos. Márcio desejava painéis feitos com canas inteiras, mas o agrônomo Danilo Candia, da Carbono Zero, discordava: com a dilatação, a cana de bambu iria rachar-se em, no máximo, seis meses.
Danilo convenceu o arquiteto a usar réguas de bambu mossô, com 4 cm de largura e 1,5 cm de profundidade. O material foi então autoclavado para que sua durabilidade na fachada saltasse de dois para 15 anos, a mesma das madeiras de lei. Por ser uma gramínea, o bambu tem um ciclo de corte e regeneração que perdura por gerações, vantagem ecológica em relação à madeira. Existem bambuzais com 400 anos ainda produzindo. Além disso, atinge a maturidade em apenas sete anos, enquanto um Ipê, por exemplo, demora 50 anos até poder ser cortado.
Esta é a primeira vez que Marcio especifica bambu em um edifício. A ideia veio depois de andar por Ilhabela, cheia de casas que empregam o material em muretas, pergolados e outras estruturas. Para o arquiteto, o material reflete o espírito despojado do lugar e o estilo dos moradores da casa, ligados ao surfe e ao budismo.
"Parece que os perfis estão dançando na fachada", diz Diana. "O bambu é furta-cor, vivo, irregular - diferente de um pedaço de madeira", complementa. Já à noite, os painéis de bambu são levemente retroiluminados pela luz artificial que vem dos cômodos, transformando a casa em uma lanterna japonesa.

Fotos Pedro Vannucchi



FICHA TÉCNICA
ARQUITETURA
 Marcio Kogan e Diana RadomyslerCOLABORADOR Eduardo ChalabiRÉGUAS DE BAMBU Bambu Carbono ZeroESQUADRIAS Kiko Esquadrias

Faça você mesmo!

Dar um toque na decoração, com personalidade e ousadia, sem grandes investimentos financeiros. Se isso sempre foi um sonho distante, essa matéria vai te ajudar a realizar seu sonho.

São objetos criados e/ou usados por arquitetos, designers e paisagistas na mostra “Morar mais por menos” de 2010, realizada no Rio de Janeiro.

Confira e faça você mesmo! 
Uma mesa de canto cheia de personalidade. Uma base em ferro pintada em amarelo, sob uma roda de bicicleta aro 20 e o acabamento final com um tampo em vidro comum incolor 8 mm.
Um velho armário de vestiário, comprado em uma dessas lojas de móveis usados, pode se tornar a atração principal de sua decoração. O corpo do armário foi pintado com tinta automotiva na cor cinza e as portas na cor laranja. Para estilizar, foram colados adesivos nas portas.



Eletrodutos comuns, que você pode comprar em qualquer depósito de construção, cordas de obra e um tampo de vidro comum incolor 15 mm, com diâmetro de 1,00 metro. Para compor a as base faça 3 rolos de 20 metros cada e os amarre individualmente com a corda de obra. Pronto. Basta apoiar o tampo de vidro em cima e usufruir dessa mesa cheia de cores e com muito estilo.
Lixeiras simples, em alumínio, foram adaptadas através de cortes e dobras, para desfazer a circunferência e dar um formato de semicírculo. Depois, é só decorar o fundo, onde estão os cortes e dobras, com um tecido e dar o acabamento final com laços em fita. Pendure à parede utilizando buchas.